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capa do ebook O SISTEMA AGROINDUSTRIAL DO CAFÉ NO BRASIL: PANORAMA, TENDÊNCIAS E DESAFIOS

O SISTEMA AGROINDUSTRIAL DO CAFÉ NO BRASIL: PANORAMA, TENDÊNCIAS E DESAFIOS

Este capítulo apresenta um panorama do setor do café no Brasil e no mundo, destacando sua inserção internacional, a configuração desse sistema agroindustrial, sua governança interna e os desafios socioambientais emergentes. No panorama global, o Brasil se destaca como o maior produtor de café arábica e o segundo de robusta, variedade que tem impulsionado o crescimento nacional na última década. Internamente, consolida-se como o segundo maior consumidor do planeta. As transformações decorrentes da desregulamentação setorial na década de 1990 levaram a mudanças na forma de governança do sistema que passou a ser ditada pelas forças de mercado, resultando em forte concentração industrial e no surgimento de movimentos de diferenciação de qualidade. Consolida-se, assim, a coexistência de subsistemas, tipicamente de cafés finos voltados para a exportação e grãos convencionais direcionados ao consumo doméstico, embora o varejo nacional venha expandindo o consumo de cafés de maior valor agregado. No campo, a produção concentra-se fortemente em Minas Gerais e Espírito Santo, com ampla relevância da agricultura familiar, que compõe cerca de 80% dos estabelecimentos cafeeiros. Atualmente, o setor enfrenta tendências cruciais e desafios complexos. A crise climática, manifestada em secas e ondas de calor em regiões tradicionais, as mudanças regulatórias dos mercados internacionais e as mudanças de comportamento dos consumidores têm impulsionado a transição para a sustentabilidade, e uma preocupação com questões sociais, como as relações de trabalho na cafeicultura. Como estratégia de agregação de valor, resposta a exigências socioambientais e promoção do desenvolvimento territorial, as Indicações Geográficas (IGs) ganharam centralidade. Para além das IGs, para assegurar o desenvolvimento territorial e a inclusão social, é indispensável fortalecer a governança e prover suporte técnico institucional à agricultura familiar, permitindo que os pequenos Capítulo 4 51 Fomento às Indicações Geográficas e Marcas Coletivas. Volume 2: O Caso da Alta Mogiana produtores superem as barreiras do mercado e se beneficiem diretamente do valor gerado pela cafeicultura.

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O SISTEMA AGROINDUSTRIAL DO CAFÉ NO BRASIL: PANORAMA, TENDÊNCIAS E DESAFIOS

  • DOI: 10.37572/EdArt_0608261784

  • Palavras-chave: mercado mundial de café; setor cafeeiro; SAG do café; cadeia do café; coordenação.

  • Keywords: global coffee market; coffee industry; coffee agribusiness system; coffee chain; coordination.

  • Abstract:

    This chapter provides an overview of the coffee sector in Brazil and worldwide, highlighting its international integration, the structure of this agribusiness system, its internal governance, and emerging socio-environmental challenges. On the global stage, Brazil stands out as the largest producer of Arabica coffee and the secondlargest producer of Robusta, a variety that has driven national growth over the past decade. Domestically, the country has established itself as the second-largest consumer in the world. The transformations resulting from sectoral deregulation in the 1990s led to changes in the system’s governance, which came to be dictated by market forces, resulting in strong industrial concentration and the emergence of movements focused on quality differentiation. This has led to the coexistence of subsystems: typically, specialty coffees geared toward export and conventional beans intended for domestic consumption, although the domestic retail sector has been expanding consumption of higher-value-added coffees. In rural areas, production is heavily concentrated in Minas Gerais and Espírito Santo, with family farming playing a major role, accounting for about 80% of coffee farms. Currently, the sector faces critical trends and complex challenges. The climate crisis, manifested in droughts and heat waves in traditional production regions, along with regulatory changes in international markets and shifts in consumer behavior, has driven the transition toward sustainability and a focus on social issues, such as labor relations in coffee farming. As a strategy for adding value, responding to socioenvironmental demands, and promoting regional development, Geographical Indications (GIs) have taken center stage. In addition to GIs, to ensure regional development and social inclusion, it is essential to strengthen governance and provide institutional technical support to family farming, enabling small producers to overcome market barriers and benefit directly from the value generated by coffee farming.

  • Sandra Mara de Alencar Schiavi
  • Marcelo Marques de Magalhães
  • Ana Elisa Bressan Smith Lourenzani