ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO NO CONTEXTO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA
O capítulo analisa os ecossistemas de inovação no contexto das Indicações Geográficas (IGs), distinguindo-os dos clusters tradicionais e propondo um arcabouço analítico para identificar quando um território de IG pode ser caracterizado como um ecossistema de inovação. Fundamentado na evolução conceitual do tema - da coevolução e interdependência entre atores à noção de coopetição e alinhamento multilateral - o texto sustenta que o diferencial reside na articulação de uma proposta de valor focal orientada à criação de valor compartilhado e à proteção de bens públicos territoriais. A análise estrutura-se em três dimensões. A primeira, “Arquitetura e Componentes”, evidencia a heterogeneidade dos atores (produtores, associações, instituições de pesquisa e órgãos reguladores), a governança colaborativa e a centralidade de recursos territoriais materiais e imateriais. A segunda, “Dinâmicas, Relações e Evolução”, destaca a interdependência, a complementariedade, a capacidade absortiva e a coopetição como fundamentos da inovação sistêmica, enfatizando o papel das associações na orquestração não hierárquica e na renovação contínua das vantagens competitivas. A terceira, “Propósito e Resultados”, demonstra que esses ecossistemas transcendem objetivos econômicos, integrando dimensões sociais, culturais e ambientais, com foco na sustentabilidade e no desenvolvimento territorial de longo prazo. Conclui-se que nem todo território com IG constitui um ecossistema de inovação; tal configuração exige interdependência estruturada, governança eficaz e geração de valor coletivo multidimensional, demandando uma gestão orientada pela lógica da orquestração e da sustentabilidade sistêmica.
ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO NO CONTEXTO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA
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DOI: 10.37572/EdArt_2303268579
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Palavras-chave: Coopetição; Governança colaborativa; Valor compartilhado; Capacidade absortiva.
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Keywords: Coopetition; Collaborative governance; Shared value; Absorptive capacity.
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Abstract:
This chapter examines innovation ecosystems within the context of Geographical Indications (GIs), distinguishing them from traditional clusters and proposing an analytical framework to identify when a GI territory can be characterized as an innovation ecosystem. Drawing on the conceptual evolution of the field - from coevolution and actor interdependence to coopetition and multilateral alignment - the chapter argues that the key differentiating element lies in the articulation of a focal value proposition oriented toward shared value creation and the protection of territorial public goods. The analysis is structured around three dimensions. The first, “Architecture and Components,” highlights actor heterogeneity—including producers, associations, research institutions, and regulatory bodies—collaborative governance arrangements, and the centrality of both tangible and intangible territorial resources. The second, “Dynamics, Relationships, and Evolution,” emphasizes interdependence, complementarity, absorptive capacity, and coopetition as foundations of systemic innovation, underscoring the role of associations in non-hierarchical orchestration and in the continuous renewal of competitive advantages. The third dimension, “Purpose and Outcomes,” demonstrates that such ecosystems transcend purely economic objectives by integrating social, cultural, and environmental dimensions, with a focus on sustainability and long-term territorial development. The chapter concludes that not every GI territory constitutes an innovation ecosystem; this configuration requires structured interdependence, effective governance, and multidimensional collective value generation, demanding management guided by orchestration logic and systemic sustainability.
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Número de páginas: 16
- Eduardo Eugênio Spers
- Fábio Nazhar
- Felipe Mendes Borini
- José Afonso Mazzon