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EVOLUÇÃO DA SERRA DA CANASTRA, MG: HISTÓRIA, ECONOMIA, TURISMO E INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

O capítulo analisa a evolução histórica, econômica e socioespacial da região da Serra da Canastra, em Minas Gerais, articulando os processos de ocupação territorial, transformações produtivas, consolidação do turismo e institucionalização da Indicação Geográfica (IG) do Queijo Canastra. Inicialmente, contextualiza-se a formação geológica e climática da região, bem como sua ocupação a partir do ciclo da mineração aurífera no período colonial, que impulsionou fluxos migratórios, conflitos com povos originários e a formação de quilombos, configurando uma dinâmica territorial marcada por disputas e resistências. Com o declínio da mineração, consolidou-se um sistema agropastoril baseado na agricultura familiar e na pecuária leiteira, estruturado por práticas tradicionais de manejo e cooperação comunitária. No século XX, a descoberta de diamantes reconfigurou a economia local, gerando crescimento e, simultaneamente, intensos impactos ambientais, que culminaram na criação do Parque Nacional da Serra da Canastra, em 1972, com vistas à proteção das nascentes do Rio São Francisco e dos ecossistemas associados. Nas últimas décadas, observa-se uma reorganização territorial pautada pela valorização do queijo artesanal, reconhecido como patrimônio cultural e protegido por Indicação de Procedência desde 2012, e pela expansão do turismo de natureza e rural. O capítulo sustenta que a relação entre IG e turismo é sinérgica, pois a certificação territorial fortalece a identidade produtiva e amplia a atratividade turística, promovendo novas ruralidades e estratégias de desenvolvimento endógeno. Conclui-se que a integração entre patrimônio cultural, conservação ambiental e qualificação produtiva constitui eixo estratégico para o desenvolvimento sustentável da Serra da Canastra.

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EVOLUÇÃO DA SERRA DA CANASTRA, MG: HISTÓRIA, ECONOMIA, TURISMO E INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

  • DOI: 10.37572/EdArt_2303268574

  • Palavras-chave: Patrimônio cultural; Desenvolvimento endógeno; Ruralidades contemporâneas; Conservação ambiental.

  • Keywords: Cultural heritage; Endogenous development; Contemporary ruralities; Environmental conservation.

  • Abstract:

    This chapter examines the historical, economic, and socio-spatial evolution of the Serra da Canastra region, in Minas Gerais, Brazil, articulating processes of territorial occupation, productive transformations, tourism consolidation, and the institutionalization of the Geographical Indication (GI) of Queijo Canastra. It begins by contextualizing the region’s geological and climatic formation, followed by its occupation during the colonial gold mining cycle, which triggered migratory flows, conflicts with Indigenous peoples, and the establishment of quilombos, shaping a territorial dynamic marked by disputes and resistance. With the decline of mining activities, an agropastoral system based on family farming and dairy production became consolidated, structured around traditional management practices and community cooperation. In the twentieth century, the discovery of diamonds reconfigured the local economy, promoting economic growth while intensifying environmental pressures, which ultimately led to the creation of the Parque Nacional da Serra da Canastra in 1972 to protect the headwaters of the Rio São Francisco and associated ecosystems. In recent decades, the region has undergone territorial reorganization driven by the valorization of artisanal cheese production—recognized as cultural heritage and granted Indication of Provenance status in 2012—and by the expansion of rural and nature-based tourism. The chapter argues that the relationship between GI and tourism is synergistic, as territorial certification strengthens productive identity and enhances destination attractiveness, fostering new ruralities and endogenous development strategies. It concludes that integrating cultural heritage, environmental protection, and productive qualification constitutes a strategic axis for sustainable development in the region.

  • Número de páginas: 10

  • Eduardo Eugênio Spers
  • Carlos Freitas Vian
  • Odaléia Telles Marcondes Machado Queiroz