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capa do ebook COMPORTAMENTO E MANEIO DE BOVINOS AUTÓCTONES NAS MONTANHAS DO NORTE DE PORTUGAL

COMPORTAMENTO E MANEIO DE BOVINOS AUTÓCTONES NAS MONTANHAS DO NORTE DE PORTUGAL

Os sistemas de pastoreio extensivo de montanha no Norte e Centro de Portugal, protagonizados por raças autóctones como a Cachena, a Maronesa, a Barrosã, a Arouquesa, a Marinhoa, a Minhota e a Mirandesa desempenham um papel crucial na gestão da paisagem, na prevenção de incêndios rurais e na conservação da biodiversidade. Esta revisão sistematiza os dados disponíveis sobre o comportamento destes animais e a sua interação com o território. A literatura específica para estas raças portuguesas é praticamente inexistente, com exceção de referências pontuais à Maronesa em projetos de conservação. Os dados disponíveis provêm maioritariamente de estudos realizados noutros sistemas de montanha europeus, nomeadamente nos Alpes, com outras raças. Da literatura consultada resultam os seguintes dados quantitativos: os bovinos dedicam 7,2 a 7,7 horas diárias ao pastoreio em montanha; a distância média diária percorrida é de 1,68 km; o período de descanso ótimo da pastagem varia entre 18 dias (maio-junho) e 36 dias (agosto-setembro); raças rústicas podem reduzir a cobertura arbustiva em 4 a 8% e aumentar a riqueza específica; a frequência cardíaca aumenta 5% por cada 10% de declive e 3% por cada unidade do índice de temperatura e humidade acima de 70. No entanto, a realidade das montanhas do Norte e Centro de Portugal apresenta cargas animais significativamente mais baixas do que as recomendadas na literatura internacional. Enquanto Dumont et al. (2007) indicam que a carga animal de 1,0 a 1,4 CN/ha permite o equilíbrio ótimo entre a produção animal e os objetivos de conservação da pastagem em sistemas de montanha na Europa Central, as cargas praticadas em Portugal variam entre 0,2 e 0,4 CN/ha em pastagens arbustivas e baldios, e entre 0,8 e 1,2 CN/ha nos lameiros de regadio. Esta disparidade tem implicações profundas para a gestão do território, a prevenção de incêndios e a conservação da paisagem. As principais lacunas de dados incluem a quantificação dos padrões de deslocação, a caracterização da dieta, a avaliação dos efeitos do pisoteio e a influência do abrigo no comportamento das raças Cachena, Maronesa e Barrosã. A investigação futura deve recorrer a tecnologias de precisão (GPS, sensores) para colmatar estas lacunas e avaliar o potencial de aumento da carga animal como ferramenta de gestão da paisagem.

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COMPORTAMENTO E MANEIO DE BOVINOS AUTÓCTONES NAS MONTANHAS DO NORTE DE PORTUGAL

  • DOI: 10.37572/EdArt_25092632110

  • Palavras-chave: Comportamento animal; Fenologia; GPS tracking; Raças autóctones; Pastoreio extensivo; Pisoteio; Encabeçamento.

  • Keywords: Animal behavior; Phenology; GPS tracking; Native breeds; Extensive grazing; Trampling; Herd management.

  • Abstract:

    Extensive mountain grazing systems in Northern and Central Portugal, featuring native breeds such as Cachena, Maronesa, Barrosã, Arouquesa, Marinhoa, Minhota, and Mirandesa, play a crucial role in landscape management, rural fire prevention, and biodiversity conservation. This review systematizes the available data on the behavior of these animals and their interaction with the territory. Specific literature on these Portuguese breeds is practically non-existent, with the exception of occasional references to Maronesa in conservation projects. The available data mainly comes from studies conducted in other European mountain systems, particularly in the Alps, with other breeds. The consulted literature yields the following quantitative data: cattle dedicate 7.2 to 7.7 hours daily to grazing in the mountains; the average daily distance traveled is 1.68 km; The optimal pasture rest period ranges from 18 days (May-June) to 36 days (August-September); rustic breeds can reduce shrub cover by 4 to 8% and increase species richness; heart rate increases by 5% for every 10% of slope and 3% for every unit of temperature and humidity index above 70. However, the reality of the mountains of Northern and Central Portugal presents significantly lower animal stocking rates than those recommended in the international literature. While Dumont et al. (2007) indicate that an animal stocking rate of 1.0 to 1.4 CN/ha allows for the optimal balance between animal production and pasture conservation objectives in mountain systems in Central Europe, the stocking rates practiced in Portugal vary between 0.2 and 0.4 CN/ha in shrubby pastures and fallow lands, and between 0.8 and 1.2 CN/ha in irrigated meadows. This disparity has profound implications for land management, fire prevention, and landscape conservation. Key data gaps include quantifying movement patterns, characterizing diet, assessing the effects of trampling, and the influence of shelter on the behavior of the Cachena, Maronesa, and Barrosã breeds. Future research should utilize precision technologies (GPS, sensors) to fill these gaps and evaluate the potential of increasing livestock carrying capacity as a landscape management tool.

  • MArco André de Almeida Fernandes
  • Gustavo Paixão
  • Joaquim Lima Cerqueira
  • José Pedro Araújo