CANASTRA NA PERSPECTIVA DOS STAKEHOLDERS
O capítulo analisa a Indicação Geográfica (IG) Canastra à luz da Teoria dos Stakeholders, fundamentada em R. Edward Freeman, destacando o papel do engajamento multissetorial na formação, consolidação e expansão de territórios reconhecidos. Parte-se da premissa de que a IG constitui um arranjo institucional complexo, cuja efetividade depende da convergência de interesses entre produtores, associações, cooperativas, instituições financeiras, universidades e poder público. A discussão teórica aborda diferentes perspectivas da Teoria dos Stakeholders - normativa, instrumental e descritiva - enfatizando a identificação, classificação e priorização das partes interessadas, bem como os níveis de engajamento (transacional, transitório e transformador). Argumenta-se que a operacionalização da teoria ocorre por meio do engajamento estruturado, capaz de gerar legitimidade, inovação, gestão de riscos e sustentabilidade territorial. O estudo de caso da Serra da Canastra, com destaque para o município de São Roque de Minas, evidencia como a articulação entre lideranças locais, produtores e instituições - como a APROCAN e a cooperativa SICOOB SAROM - foi decisiva para superar crises econômicas, desafios regulatórios e riscos de êxodo rural. A mobilização coletiva permitiu a regulamentação do queijo de leite cru, a valorização do terroir e o fortalecimento da identidade territorial. A perenidade da IG Canastra decorre de um elevado nível de engajamento transformador, no qual objetivos econômicos, morais e estratégicos convergem. O capítulo reforça que a sustentabilidade e a expansão das IGs, especialmente em países emergentes, dependem da governança participativa e da integração efetiva de stakeholders em torno de um propósito comum.
CANASTRA NA PERSPECTIVA DOS STAKEHOLDERS
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DOI: 10.37572/EdArt_23032685711
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Palavras-chave: Governança participativa; Engajamento transformador; Legitimidade institucional; Gestão de riscos.
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Keywords: Participatory governance; Transformational engagement; Institutional legitimacy; Risk management.
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Abstract:
This chapter analyzes the Geographical Indication (GI) of Serra da Canastra through the lens of Stakeholder Theory, as developed by R. Edward Freeman, highlighting the role of multistakeholder engagement in the formation, consolidation, and expansion of recognized territories. It is based on the premise that a GI represents a complex institutional arrangement whose effectiveness depends on the convergence of interests among producers, associations, cooperatives, financial institutions, universities, and public authorities. The theoretical discussion encompasses normative, instrumental, and descriptive perspectives of Stakeholder Theory, emphasizing stakeholder identification, classification, and prioritization, as well as levels of engagement—transactional, transitional, and transformational. The chapter argues that the operationalization of the theory occurs through structured engagement capable of generating legitimacy, innovation, risk management, and territorial sustainability. The case study of São Roque de Minas illustrates how the articulation among local leaders, producers, and institutions—such as the Associação dos Produtores de Queijo Canastra (APROCAN) and SICOOB SAROM—was decisive in overcoming economic crises, regulatory challenges, and risks of rural outmigration. Collective mobilization enabled the regulation of raw milk cheese production, the valorization of terroir, and the strengthening of territorial identity. The chapter concludes that the longevity of the Canastra GI stems from a high level of transformational engagement, in which economic, moral, and strategic objectives converge. It reinforces that the sustainability and expansion of GIs, particularly in emerging countries, depend on participatory governance and effective stakeholder integration around a shared purpose.
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Número de páginas: 13
- Renata Aparecida Forato
- Eduardo Eugênio Spers