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capa do ebook A IG DA ALTA MOGINA E A GENERATIVIDADE DOS ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO

A IG DA ALTA MOGINA E A GENERATIVIDADE DOS ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO

As Indicações Geográficas têm sido amplamente analisadas como instrumentos de proteção da origem, diferenciação mercadológica e valorização territorial. Este capítulo propõe um deslocamento analítico ao tratá-las como possíveis ecossistemas de inovação, nos quais múltiplos atores mobilizam recursos, conhecimentos e capacidades para produzir, sustentar e capturar valor. Nessa perspectiva, a generatividade é compreendida como a capacidade do território de produzir novas combinações organizacionais, institucionais e produtivas, não como efeito automático da certificação, mas como resultado que depende da qualidade da governança, da mediação dos conflitos, do modo como as assimetrias de poder são administradas e pela construção de uma proposta de valor compartilhada. Argumentase que os conflitos, longe de constituírem apenas disfunções, expressam disputas por legitimidade, representatividade, controle de recursos e apropriação de benefícios. Quando mal mediados, eles podem restringir a integração entre os atores, enfraquecer a interdependência e comprometer a complementaridade necessária à inovação sistêmica. Com base em observações e entrevistas no território da Alta Mogiana, Indicação de Procedência de café reconhecida pelo INPI, o capítulo examina como identidades territoriais, arranjos institucionais e relações de poder moldam a capacidade generativa das IGs. Conclui-se que a inovação territorial depende menos do reconhecimento formal da origem e mais da construção de mecanismos coletivos capazes de coordenar interesses, processar disputas e ampliar a participação efetiva dos diferentes grupos envolvidos.

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A IG DA ALTA MOGINA E A GENERATIVIDADE DOS ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO

  • DOI: 10.37572/EdArt_0608261789

  • Palavras-chave: poder; conflito; generatividade; governança territorial; ecossistema de inovação.

  • Keywords: power; conflict; generativity; territorial governance; innovation ecosystem.

  • Abstract:

    Geographical Indications have been widely analyzed as tools for protecting origin, market differentiation, and territorial development. This chapter proposes a shift in perspective by treating them as potential innovation ecosystems, in which multiple actors mobilize resources, knowledge, and capabilities to produce, sustain, and capture value. From this perspective, generativity is understood as the territory’s capacity to produce new organizational, institutional, and productive combinations—not as an automatic effect of certification, but as an outcome that depends on the quality of governance, conflict mediation, how power asymmetries are managed, and the construction of a shared value proposition. It is argued that conflicts, far from being merely dysfunctions, express disputes over legitimacy, representativeness, control of resources, and the appropriation of benefits. When poorly mediated, they can restrict integration among actors, weaken interdependence, and compromise the complementarity necessary for systemic innovation. Based on observations and interviews in the Alta Mogiana region—home to a coffee Geographical Indication (GI) recognized by the INPI—this chapter examines how territorial identities, institutional arrangements, and power relations shape the generative capacity of GIs. It concludes that territorial innovation depends less on formal recognition of origin and more on the construction of collective mechanisms capable of coordinating interests, resolving disputes, and expanding the effective participation of the different groups involved.

  • Fábio Nazhar
  • Felipe Mendes Borini
  • José Afonso Mazzon
  • Eduardo Eugênio Spers